2012 - Primeira Parte: O Calendário Maia



O Mundo vai acabar em 2012? Não, não vai. Bom pelo menos não tem nada agendado pra isso.

O mundo vai ficar mais maluco ainda em 2012, alguma mudança social ou cataclisma? Ah, com certeza.

Apesar de que essas coisas podem acontecer a qualquer momento dentro de nosso futuro imediato, o antigo calendário Maia é um poderoso argumento para que isso ocorra depois de 21 de Dezembro de 2012.

A Civilização Maia habitou a região entre México, Guatemala, El Salvador, Belize e Honduras, e floresceu entre o terceiro e décimo século D.C., mas em 1200 DC a sociedade deles já havia desaparecido. Quando os Conquistadores Espanhóis chegaram, ainda havia descendentes ocupando a área, e ainda falavam a linguagem Maia, mas não conheciam todas as cidades construídas por seus ancestrais.

Só no final do século 18 que exploradores investigaram a floresta tropical da Guatemala e encontraram praças, monolitos, templos e pirâmides, todas decoradas com hieroglifos. Os Maias usavam uma linguagem que misturava ideogramas e elementos fonéticos - era como interpretar uma poesia visual. Algumas dessas escrituras ainda existem em cartuchos (placas de pedra) e monumentos que recontam os eventos civis importantes e o conhecimento astronômico dos Maias.

Diego de Landa foi um monge espanhol que visitou o méxico em uma missão de caridade, transformando a região de Yucatán em província franciscana em 1561 e famoso por destruir vários artefatos e documentos Maias.

Apesar de ser muito interessado na cultura Maia, ele ficou horrorizado com certos aspectos dela, como sacrifício humano. Os Maias sacrificavam várias pessoas, todos os anos, por meses inteiros, entre jovens da própria cidade e pessoas de tribos indígenas. Quando encontrou uma caverna contendo estátuas maias sagradas e vários esqueletos de sacrifício e documentos, Landa ordenou a destruição de cinco mil estátuas. Ele decidiu que toda aquela cultura era trabalho do diabo e então queimou todos os documentos, com exceção de três que sobreviveram. Ou seja a maioria do conhecimento e história Maia se perdeu pra sempre.

Apesar desse ato de ignorância, Landa não foi tão inútil já que ele conseguiu fazer a primeira tradução do alfabeto fonético Maia, que ajudou a decifrar um terço dos hieroglifos.

O mais importante dos documentos que sobreviveram se chama Dresden Códex, com o nome da cidade aonde foi achado. É um livro estranho, escrito em hieroglifos, que ninguém entendia até 1880. Na época Ernst FØrstemann, um catedrático Alemão que trabalhava na biblioteca de Dresden, conseguiu decifrar o código do Calendário Maia permitindo que outros acadêmicos traduzissem outras inscrições em monumentos e artefatos.

Ele descobriu que o Códex continha conhecimentos de Astronomia, que criavam calendários mais apurados do que nosso calendário romano. Eles previam mudanças de estações, a rota dos planetas no sistema solar, os ciclos de Vênus e Marte, e vários fenômenos celestes que a nossa sociedade ainda desconhecia.

A maior parte da informação que temos hoje vêm do Popol Vuh e Chilam Balam - livros escritos pouco depois da chegada dos Espanhóis. O conhecimento decodificado nesses livros, unido ao das pirâmides e cartuchos, provou que os Maias possuíam um conhecimento que rivalizava o de Gregos e Egípcios.

A vida dos Maias era ao redor do conceito do tempo. Sarcedotes eram consultados em todos os assuntos civis, agriculturais e religiosos, e os conselhos deles vinha da leitura dos calendários sagrados. O tempo era tão importante que as crianças eram batizadas com nomes que faziam referência à data em que nasceram.

A matemática Maia, apesar de superavançada, só usava três símbolos - um sinal vazio para o zero, um ponto para o 1 e uma barra para 5 representando unidades de 0 até 19. Por exemplo, o número 13 era três pontos e duas barras. 3+10

Zero era um conceito muito avançado naquele tempo, tanto que os Romanos nem possuíam esse conceito. E os Maias ainda por cima o retratavam como um conceito de vazio, abstrato. Eles usavam cálculos métricos e numeração, e faziam monumentos imensos... sem nunca sequer terem usado a roda! O conceito de engrenagens e rodas era desconhecido deles!

Eles possuíam muitos calendários, e marcavam a passagem do tempo com três ciclos que corriam em paralelo.

O primeiro era conhecido como Tzolkin. Combinava números de 1 até 13 com uma sequência de 20 nomes para dias. Era como um calendário só para dias da semana. Então você poderia ter o 5° Chikchan (seria nosso Domingo dia 5) seguido pelo 6° Kimi (Segunda, dia 6). Só depois de 260 dias que as combinações se repetem, e se inicia um novo mês. O mês era tão longo porque era baseado no tempo de gestação de uma mulher. Então na verdade um mês eram nove meses no nosso calendário. Você podia passar de mês em outros aspectos, mas a semana ainda estava no mesmo mês.

O segundo é o calendário agrícola conhecido como Haab, ou ano vago. São 18 meses, cada um de 20 dias. A adição de um mês de 5 dias, um período de apreensão chamado de mês do azar, ou Uayeb, nos dá 365 dias, um ano. Esse calendário media as estações do ano, eventos solares que ocorriam em cada dia do ano. Então o Calendário agrícola não regia os dias da semana, mas as estações do ano, os dias da semana eram um aspecto separado da vida.

Esses dois calendários separados recomeçavam a cada 260 e 365 dias cada. Porém, a cada 52 anos eles terminavam no mesmo dia, e nesse período, os Maias se desesperavam esperando o fim do mundo. Nessa época, todas as fogueiras e tochas eram apagadas, mulheres grávidas eram enjauladas para o caso de parirem aberrações da natureza, crianças eram mantidas acordadas para que não morressem durante o sono, e todos se trancavam em suas casas. Caso os deuses decidissem dar mais 52 anos de vida para a civilização, haveria uma celebração à noite, na qual toda a população seguia o sarcedote na escuridão até o topo de um vulcão extinto. Lá, de olhos nas estrelas, eles esperavam a passagem das plêiades para o centro do céu, o que anunciava a continuação do mundo por mais 52 anos. Quando esse momento chegava, uma virgem ou um guerreiro capturado era sacrificado, se abrindo o peito dele e arrancando o coração ainda batendo. Então na cavidade aberta se acendia uma tocha, e com a chama dessa tocha se iluminava nomavente todas as tochas e fogueiras da cidade. Essa era a cerimônia da nova chama, e a passagem do ciclo de 52 anos era reconhecida por todos os outros povos mesoamericanos.

A sensação devia ser a mesma que muitos cristãos sentiram no final do último milênio ou seguidores do Apocalipse.

Os calendários Maias nem mesmo foram inventados por eles. Vieram dos seus antecessores, os Olmec, um povo de 3.000 anos atrás, que sem os instrumentos da Europa do século 16, já conseguiam calcular um ano solar em 365 dias, de forma mais acurada que os Europeus, e muito antes do calendário Gregoriano. Os Olmecs clamavam ter recebido esse conhecimento de uma civilização ainda mais antiga que eles.

O terceiro calendário Maia, era o 'longa contagem'. Ele começava a registrar eventos de 5.000 anos atrás. A contagem dele começou em 3.114 Antes de Cristo e foi herdado pelos Maias, pelos Olmecs e por outras culturas mais antigas. E ele termina em 21 de dezembro de 2012.

Uma data Maia é assim:

12.18.16.2.6, 3 Cimi 4 Zotz

4 Zotz (4 morcegos) a data agrícola do Haab.

3 Cimi é data da semana, Tzolki.

12.18.16.2.6 é o dia no longo calendário.

A unidade básica é o Kin (dia) que é o último componente do Longa Contagem. Da direita para esquerda, os componentes são:

  • unial........1 unial = 20 kin = 20 dias
  • tun..........1 tun = 18 unial = 360 dias = quase 1 ano
  • katun.......1 katun = 20 tun = 7,200 dias = quase 20 anos
  • baktun.....1 baktun = 20 katun = 144,000 dias = quase 394 anos.

A Longa Contagem é um grande ciclo de 13 baktuns (5.126 anos) e começou no dia 13 de Agosto de 3114 Antes de Cristo.

Na Mitologia Maia, cada ciclo é uma era do mundo na qual os Deuses tentavam aperfeiçoar a humanidade, com quatro mundos principais e três deuses máximos com vários outros deuses regendo cada era. O primeiro deus era o Deus Solar, que regia a civilização e os deuses, o segundo era o Deus Morcego Camazotz guardião do submundo e das almas e o terceiro era a Deusa da feminilidade e da vida e nascimento.

Segundo a mitologia Maia, a Primeira Era começou com a criação da Terra, e sua população de vegetação e animais. Mas, os animais eram desproporcionais e foram dizimados. Na Segunda e Terceira Era os deuses criaram os seres do barro e eles habitavam a terra e o mar, mas também precisaram ser destruídos. Na atual e Quarta Era, a Era Final, os deuses criaram o ser humano atual, na Era dos Terremotos e das Guerras. Será que essas Eras se referem à mudanças evolutivas? E se forem, o que poderá ocorrer na mudança dessa Era, que termina em 21 de Dezembro de 2012?


  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

2012 - Introdução


Aqui está uma idéia que vale a pena considerar:

Milhares de anos atrás seres humanos alcançaram um considerável nível de civilização. Eles entendiam algumas leis naturais que ainda são desconhecidas da nossa sociedade. Eles exploraram a Antártida quando o continente ainda era quente e mapearam o globo inteiro. Eles construíram monumentos que teríamos dificuldade de recriar com nossa tecnologia moderna e esses monumentos possuíam significados culturais desconhecidos para nós...

Então alguma coisa aconteceu. Eles não estavam esperando por isso. Algo tão inesperado que a maioria dos seres humanos não sobreviveu e muitas espécies animais se tornaram extintas. Os humanos que sobreviveram foram forçados a condições de vida completamente diferentes das que estavam acostumados e com o tempo, seus costumes e civilizações foram esquecidos por seus próprios descendentes. A sociedade recomeçou do zero, com vidas mais simples. Vagas lembranças de costumes antigos se tornaram ritos pagãos e cidades construídas ao redor de monumentos enigmáticos de um passado esquecido. Lendas do que aconteceu teriam surgido e tentativas de compreender o evento criaram formas de avisar as gerações futuras para se prepararem caso esse 'algo' ocorresse novamente. Para facilitar a transição feita da primeira vez de forma tão brusca e violenta. Porém esses avisos foram feitos de forma cultural, e para nosso entendimento moderno são tão ambíguos que podem possuir um vasto número de possibilidades.

Criamos calendários, marcamos o tempo, mas na verdade o tempo é uma abstração humana. Ele não existe, na natureza. Para a natureza só existe a constante transformação da matéria. O dia e a Noite são abstrações humanas que só existem do nosso ponto de vista. Se observasse a Terra do ponto de vista do Sol, por exemplo, nunca haveria dia ou noite, apenas um planeta girando em sua própria órbita, na vastidão escura e eterna do espaço.

Essas abstrações e valores culturais mudam constantemente, como a matéria, e por isso temos tanta dificuldade em compreendermos os conceitos dos povos antigos. Eu me irrito toda vez que um arqueólogo descobre um monumento e diz que ele tem 'significado religioso'... talvez daqui a um milhão de anos, quando encontrarem a Estátua da Liberdade pensem que era algum tipo de Deusa.

Nós estamos na beira de clonar humanos, pelo amor de Deus. Independente da ética e das leis, isso vai acontecer - pois sempre que cientistas têm a capacidade de fazer alguma coisa, eles não conseguem resistir - e já criamos a nanotecnologia. Já existem nano-robôs do tamanho de vírus capazes de se autoreproduzirem. Muitas coisas que antes eram consideradas ficção hoje são realidades, apenas não fazem parte do cotidiano do homem comum ainda. A bomba atômica um dia foi apenas uma conta em um pedaço de papel.

Porém, ainda existem mistérios não resolvidos. Enigmas que nossos cientistas não observaram em primeira mão e que escolheram não chutarem respostas. E as poucas respostas prováveis foram dadas por pesquisadores independentes, pseudo-cientistas destreinados, escritores com grande imaginação, os rebeldes. Apesar da maioria destas respostas serem erradas ou mescladas com superstição ou contexto cultural, alguns fundos de verdade foram apresentados.

O fato é: em algum momento da Terra, algo extraordinário aconteceu e mudou o rumo das civilizações mais de uma vez. Enquanto a ciência e a religião inventam respostas para tornarem o mundo seguro para o cidadão comum, monumentos antigos nos desafiam a ver que a verdade não é tão simples quanto a sociedade gostaria que fosse. A esfinge tem 5.000 ou 12.000 anos? Ocorreu um cataclisma global? O homem já viveu no oceano? Como que sociedades antigas separadas conseguiam moldar blocos gigantes de pedra e por quê todas construíram pirâmides e câmeras subterrâneas? Por quê homens e mulheres superdotados aparecem de tempos em tempos à frente de seu tempo para sofrerem com a incompreensão, e ao mesmo tempo guiar a humanidade? É engraçado como alguns pensadores são respeitados em algumas opiniões e não em outras. Einstein concordava com a inversão de pólos; Platão descreveu a existência de Atlântida; Darwin teorizou cataclismas globais.

A partir dessa introdução, vou apresentar uma série de artigos sobre evidências que a ciência ortodoxa escolheu ignorar, evidências que não se encaixam no mundo que eles querem. Também vou falar sobre todas as possibilidades de um futuro evento de grandes proporções, não apenas em 2012, mas em todo nosso futuro e também o por quê de 2012 ser tão importante, sobre monumentos construídos para nos avisar de algo importante, viagens no tempo, raios cósmicos e criaturas mitológicas, e um grande segredo chamado HiperContexto. Uma amiga uma vez me disse "você tem os argumentos mais absurdos, mas o pior é que eles fazem sentido". Então vamos tentar fazer com que tenham mais sentido, observando juntos as evidências.

Antes vou explicar rapidamente duas perguntas feitas de imediato pelas pessoas que ouvem falar de 2012:

  • Por quê todo mundo resolveu falar de 2012, e cada um fala uma coisa? Os Maias previram o fim do mundo?
Bom, a graaande maioria, tá querendo ganhar dinheiro em cima do movimento Nova Era mesmo. Também já vi um monte de besteira escrita por religiões e grupos esotéricos sobre 2012, e sobre as profecias maias. Parece que todo mundo quer puxar um pouco a sardinha pra si. Até tem gente que mistura com profecias bíblicas. Na verdade eu traduzi as profecias Maias originais, e se elas tiverem Seis linhas, é muito. Meu primeiro artigo da série vai ser justamente sobre elas, e vou mostrar a versão original em Quíchua, o qual me dei ao trabalho de aprender pra traduzir corretamente e ir mais profundamente nas lendas maias, mas vou mostrar agora a profecia original para que vejam como é pequena. Então poderão ver como tem gente por aí dizendo bobagem e acrescentando coisas que não existiam na versão original.

A grande maioria da literatura Maia se perdeu pra sempre, os Espanhóis queimaram tudo com exceção de 3 de seus 4 maiores livros, mas as famosas profecias Maias foram inscritas em monumentos e hieroglifos, ao lado do grande calendário Maia, e somente uma fala sobre 2012. Ela diz:

…há muito tempo atrás isso aconteceu, no dia do Oitavo Chuwen, o nono de Mak quando a Futura Grande Casa de Madeira foi construída. Ela era a casa subterrânea e templo do deus Ahkal K'uk'. Isso foi há 3x400 anos, antes do Trigésimo Bak'tun terminar, no final do Quarto Mundo. Isso vai acontecer novamente na descida de B'olon Yookte'...

Essa inscrição se encontra no Monumento Tartaruga 6 dos Maias, e pela contagem final do calendário deles, esses 12.000 anos terminariam em 21 de dezembro de 2012. O deus B'olon Tookte' tem vários significados, normalmente na forma de um avatar. Metade da inscrição está apagada então é impossível traduzir a história toda. Porém a inscrição dá indicação de que algum tipo de abrigo deveria ser construído novamente, no subterrâneo, até 2012. Da mesma forma que homens misteriosos ao longo da nossa história, que começaram suas vidas como cidadãos comuns mas suas idéias revolucionaram a sociedade anos depois são vistos como 'à frente de seu tempo', eles podiam ser vistos pelos Maias como avatares dos deuses tanto literalmente quanto metaforicamente. De qualquer forma o período dessas mudanças parece que ocorreria em momentos de grandes distúrbios sociais e globais, e esses abrigos ou templos eram construídos como forma de precaução. Os Maias acreditavam que quatro mundos ou eras haviam existido antes da nossa era atual, e que todas mudavam com a chegada de novas revoluções e ciclos sociais, catástrofes globais. Isso era representado pela imagem dos deuses recriando a humanidade do zero. Pode ser um significado tanto literal, quanto metafórico.

Então é bem óbvio que não se tratava do fim do mundo, mesmo que falassem de um cataclisma global, a Terra já viu muitos e não acabou. Talvez uma mudança radical, mas não o fim do mundo. Muitas profecias dos Maias eram bem mundanas, por exemplo: "Daqui a 137 anos, será o terceiro dia da semana, e o aniversário de 200 anos do nascimento de nosso rei."

A seguir, no próximo artigo, vamos entender melhor a cultura Maia, seus deuses e lendas.

Imagem do Texto: O famoso calendário Maia! É do tamanho de um LP...

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

120 dias de Sodomia


Os 120 Dias de Sodomia, ou a Escola do Libertinismo (Les 120 journées de Sodome ou L'école du libertinage) é um conto escrito pelo nobre Francês Donatien Alphonse François, Marquês de Sade, em 1785. Conta a história de quatro homens ricos que resolvem ter a experiência suprema de liberdade em orgias. Para isso, eles se trancam em um castelo inacessível com um harém de 46 vítimas, a maioria adolescentes de ambos os sexos, e obrigam quatro cafetonas de bordel a contarem estórias de suas vidas. As narrativas das mulheres servem de inspiração para o abuso sexual e tortura das vítimas, que alcança um grau de intensidade até o assassinato de todas, com a exceção de uma que se perverte e se torna tão cruel quanto seus algozes.

Esse livro nunca foi publicado até o século 20. Recentemente foi traduzido para muitas línguas, incluindo Inglês, Japonês e Alemão. Devido aos temas de violência sexual e extrema crueldade, é considerado o trabalho mais repugnante, imoral e pervertido existente na literatura, e consequentemente banido de muitas bibliotecas.

Não gente o Blog ainda não virou um blog de pornografia. Eu vou comentar a obra de Sade pq como muitas outras, ela é profundamente mal compreendida.
Não que ele realmente não fosse um libertino, ele era; e passar 16 anos na prisão pode levar a pessoa a escrever muita besteira. Mas nesse caso, existe uma lição social no fundo da história.

Vejam o contexto: A França caminhava para a Revolução Francesa, que teve seu auge em 1789 e durou até 1799. Quando você pensa na Revolução Francesa, você pensa em Marie Antoinette, Maximilien Robespierre e um monte de guilhotinas.
O que você pode esquecer é a religião estabelecida pelo estado - O Culto do Ser Supremo. Era o tipo de religião que você pode esperar que um grupo de burocratas do governo criem: genérico, eficiente e completamente desvirtuado.
Através da história da França, religião e monarquia se misturavam como vinho e queijo, ou fogo e cinzas. A Igreja Romana Católica havia colaborado com os reis Franceses em crimes como o massacre dos Cátaros e a traição dos Cavaleiros Templários, ambos dos quais perderam toda riqueza e poder sob pretexto de supostos crimes de heresia.
Então era natural que quando a França se voltasse contra a monarquia, a Igreja seria a próxima contra a parede.

Voltaire, um filósofo Francês, dedicava grande parte de seus trabalhos ao combate do pensamento religioso e a corrupção que ele via na Igreja. Um racionalista e elitista, Voltaire achava que a religião era boa para manter o povo sob controle, mas ele defendia a teoria do Deísmo para os nobres. Particularmente, eu sou Deísta, uma filosofia que aceita a existência de um Deus Criador, mas estipula que Ele não se preocupa com assuntos mundanos dos seres humanos mais do que com os outros seres da criação, e que os problemas humanos, são dos humanos.
O problema é que como toda boa intenção, essa também deu em m*
Voltaire acreditava que a força suprema do universo era a razão, a habilidade lógica da mente humana. Após a morte de Voltaire, as pessoas confundiram as coisas e passaram ao ateísmo. O comitê da República era praticamente formado por Ateus, e afiliações com os Illuminatti e a Maçonaria - que apesar de ser um grupo com crenças religiosas, eram inimigos da Igreja.

Porém, ainda havia a necessidade do controle de massas. Então Robespierre mandou saquear a Catedral de Notre Dame e transformá-la no 'Templo da Razão'. E para manter a ordem pública, foi instituída a lei "Ninguém deve ser incomodado por opiniões religiosas, sendo que a manifestação das mesmas podem perturbar a ordem pública estabelecida por lei."

O problema, é que a maioria das virtudes, possui uma base espiritual/religiosa. Você não precisa ter uma religião para ser virtuoso, mas um mínimo de espiritualidade é necessário para reconhecer o outro como um ser com direitos.
Pra quem queria estabelecer os direitos humanos e cívicos, ferrar com a religião não foi uma boa idéia. E isso nos leva à obra de Sade.

Os quatro personagens ricos da obra eram um banqueiro, um Juiz, um Bispo e um Duque.
O texto começa assim:
"E agora, querido leitor, você deve abrir seu coração à história mais depravada já contada desde o princípio do mundo.
Nós quatro, com tempo e dinheiro à nossa disposição, e uma longa experiência com a libertinagem, estamos reunidos aqui no Castelo de Silling para satisfazer nosso apetite pela devassidão sem limites.
Conosco estão três esposas, uma filha, quatro prostitutas (cujos discursos noturnos inflamarão nossa luxúria), quatro velhas feias, oito homens vigorosos e dezesseis crianças abduzidas de suas famílias. Também, três cozinheiros e três copeiras.
Os portões do Castelo serão selados por quatro meses, de novembro a fevereiro. Neve e uma fossa intransponível nos colocam além de todo julgamento. Aqui, nós definimos os limites do mundo, nós criamos as leis que julgarmos apropriadas, nós estamos acima de vocês como deuses.
Porém, o nome de Deus não deve ser pronunciado, senão como blasfêmia; nem deve haver qualquer demonstração de alegria. A Capela será usada como banheiro, mas somente sob nossa permissão e rigorosa instrução. Exploraremos as quatro paixões nessa ordem: simples, complexa, criminal, e por fim, assassina.
Criaturas fracas, acorrentadas, cujo único destino é nos servir, vós não deveis esperar nada além de humilhação. Usaremo-vos sem piedade, ignoraremos vossos apelos e súplicas. O que podem oferecer a nós que não podemos tomar?"


Não é difícil fazer as associações, conhecendo o contexto. Temos nos personagens a representação dos poderes financeiro, religioso e governamental. Se os poderes do Estado não possuem outro poder acima deles; se todas as leis existirão somente se criadas por eles; eles efetivamente se tornam Deus. Porém sem virtudes. O Castelo pode muito ser o mundo, de onde não há fuga, se a filosofia Iluminista prega que o mundo material é o único mundo que existe.

  • Novembro; as paixões simples - São as únicas escritas em detalhe. São consideradas 'simples' em termos de não haver o ato sexual. Porém muitas pessoas não as considerariam simples, porque as vítimas são marcadas com brasa, e forçadas a comerem e beberem excrementos. Os quatro personagens - O Bispo, o Banqueiro, o Juiz e o Duque - infligem essas atrocidades às crianças sequestradas.
  • Dezembro; as paixões complexas - são as perversões mais extravagantes, com estupro, incesto e flagelação. Atividades de Sacrilégio e profanidade para dar a sensação de poder aos quatro personagens.
  • Janeiro; as paixões criminosas - Incluem a sodomização de jovens e crianças, homens que prostituem as próprias filhas e assistem aos procedimentos, e mutilação das vítimas. Durante um mês os quatro personagens desfazem totalmente a condição humana das vítimas, através de constante humilhação e espancamento.
  • Fevereiro; as paixões homicidas - Os últimos 150 atos envolvem assassinato. Inclue despelar crianças vivas, forçar aborto em grávidas, queimar famílias e matar recém-nascidos. Durante esse mês, os libertinos assassinam todas as meninas, exceto uma que se torna tão depravada quanto eles, e eles se regojizam no prazer de terem matado não seu corpo, como as demais, mas finalmente o que ela acreditava ser sua alma.the final 150 anecdotes are those involving murder.
  • Março - O final do texto, porém escrito com menos detalhes, já que as condições na prisão se tornavam mais precárias para o Marquês.
Ao longo de explorarem suas devassidões no texto, eles iniciam marcando a ferro em brasa quais jovens serão violados por qual pessoa.
"Penso em deflorar um ou dois esta noite. Mas antes devemos distinguir quais dentre esses fornecerá a cada um de nós sua virgindade - diz o Bispo - quero ver minhas possessões claramente identificadas...é importante saber onde se encontra sua propriedade, e saber o que ela anda fazendo."
O ato de propriedade e violação perpetrado pelos quatro poderes pode ser simbólico de como a autoridade pode destruir o indivíduo. Isso é especialmente relevante nos dias de hoje, onde temos etiquetas eletrônicas com registros de recém-nascidos e bancos de arquivos de DNA, tudo em nome da lei e da ordem.

Apesar de ser um movimento necessário, a hipocrisia humana desvirtuou completamente o movimento iluminista. Isso já fica bem claro, quando o caminho para a utopia precisava ter que passar pela guilhotina. Idealistas e reformistas se tornaram carrascos, e a hipocrisia do iluminismo levou à criação de monstros, os deuses da razão.
A razão sem a virtude se torna a justificativa para os atos mais depravados que o prazer dos que detém o poder pode aspirar. Afinal, o que se poderia opor contra eles, como o próprio texto afirma? Isenta da virtude, a razão dá plenos direitos a quem detém o poder sobre as vidas das pessoas.
Todo e qualquer ato de boa intenção, isento de virtude, cria um monstro da razão. O povo da França derrubou a monarquia em nome dos fracos, e os fracos ao se tornarem fortes, fizeram a mesma coisa que os fortes sempre fizeram aos fracos.

Um dos personagens, enquanto violenta um adolescente declara:
"Quem me dera poder engravidar este menino, em desafio à própria natureza! De que vale a razão, senão para tocarmos a fronteira do impossível? Gostaria de manchar com meu excremento a face da lua e para sempre macular sua pureza com minha imundície."

Aos detentores da razão desprovida de virtudes espirituais, não basta entenderem a natureza; para eles, ela nada representa senão uma massa de modelar, um molde, no qual desejam deixar sua marca. Também relevante em um mundo onde um Superacelerador de Partículas pretende criar buracos negro em miniatura, apesar da opinião contrária de vários cientistas quanto aos perigos dessa empreitada.

"Fiquem de joelhos e rezem, rezem para seu Deus surdo e mudo, enquanto os usamos como bem quisermos."
A ciência atual pretende passar a imagem de que todas nossos pensamentos são gerados por impulsos elétricos em nosso cérebro; todas nossas emoções apenas espamos químicos do cérebro. Se assim for, qual diferença entre nós e robôs? E se somos como robôs, então podemos ser programados e comandados. A ciência poderia considerar que essas sensações não são criadas pelo cérebro, mas sim efeitos causados no cérebro para traduzirem no plano físico sensações de uma consciência que transcende o corpo físico; nossa alma não está em nosso corpo, mas sim nosso corpo está banhado em nossa alma, magneticamente falando. Enquanto a ciência insistir em nos ver apenas como autômatos, a dignidade humana não é aceita pela razão.

O texto termina com o Juiz se expressando da seguinte forma:
"Ah. A luz da Razão.
Nossa época é uma época de razão. Uma época de linha e medida. A razão fará da Mãe Natureza uma meretriz amarrada para nosso deleite, e nos colocará em altos tronos, como mestres do Universo.
E você: Se te dessem a possibilidade de fazer qualquer coisa, tudo, sem ninguém para te julgar ou punir, ninguém para dizer "chega! basta!" quão longe você iria? Mais longe do que nós?
Olhe só para você! Você queria fazer isso! O que fez para nos impedir?
Culpados. Todos Culpados."

O culto ao ser supremo não durou muito, pois quando tomou a França, Napoleão restituiu a Igreja Católica para consolidar sua coroação como Imperador.
É interessante notar porém uma forte ironia: Sade escreveu esse conto antes da Revolução. Ele era um defensor da libertinagem e assíduo praticante, o que levou à sua prisão. Livre de toda virtude, é interessante notar que o texto que seria o ápice do maior defensor dos libertinos, serve justamente para criticar toda a hipocrisia da razão sem virtude, da libertinagem.
Ou o tiro saiu pela culatra, ou o Marquês percebeu que sua filosofia não devia ser usada pelo Estado. Ou mais ainda, talvez ele apenas fosse um velho safado escrevendo pornografia na prisão, já que ele defendia que virtudes e valores morais não existiam na natureza. Mas de alguma forma, a ironia do destino serviu para mostrar que o Iluminismo livre da virtude espiritual só pode lançar o mundo nas Trevas.
Por isso quem tiver estômago pra ler o conto inteiro, pode colocá-lo sob um novo contexto; um aviso sobre o animal selvagem que o homem se torna livre de toda virtude, e a peça sem vida que se torna quando submisso a todo controle; dos perigos que o Estado pode representar quando faz da República um Deus e dos males que ele nos causa em nome da Lei e da Ordem.

Imagem do Texto: O Marquês de Sade, ainda jovem e antes de sua prisão. Após ser libertado da Bastilha pela Revolução, Sade morreu aos 74 anos, enquanto dormia.

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS