
A atual geração de adolescentes em sua grande maioria desconhece o significado da virtude 'Altruísmo'.
Na mentalidade atual, principalmente entre as mulheres, o Altruísmo se resume a atos de boas ações sociais, e o autosacrifício é um termo pejorativo. 'Consegui com muito sacrifício' é o máximo de conhecimento que possuem desta expressão. Como algo sofrido, pejorativo.
O Altruísmo é o oposto do Egoísmo. A atual geração tem a mentalidade de que deve pensar primeiro em si mesma, e não nos outros. Que deve buscar primeiro sua 'felicidade' e que privar-se de algo, por outra pessoa, é sair perdendo. Eu digo em especial as mulheres porque as mães que cresceram sobre as restrições impostas à mulher inseriram nas filhas um pensamento radical de que você deve pensar apenas em si mesma, na sua liberdade, e em seus desejos. Foram do 8 ao 80.
Essa mentalidade é um câncer, um mal evolutivo que está minando e banalizando todos os relacionamentos humanos.
O Altruísmo consiste em você por a preocupação pelos outros em primeiro lugar do que sobre si mesmo; mas o medo das pessoas as faz pensar que ao fazer isso irão se negligenciar. Muito pelo contrário. Ao tornar-se uma pessoa apta à sacrificar-se pelo próximo, você precisa adquirir força, caráter, determinação e um verdadeiro senso de responsabilidade. Você está crescendo como ser humano. Por outro lado, o egoísmo oriundo do desejo de 'se dar bem na vida' leva a um estado de competição, onde você começa a competir com os estranhos, depois com seus amigos, seus amores e todo mundo mais. Em um mundo onde todos querem ser admirados de novas persperctivas, só pode levar ao sofrimento e à guerra recíproca. Vão prejudicar uns aos outros.
Claro que há o pensamento que "não estou prejudicando ninguém" mas ninguém é uma ilha. Suas ações inspiram ou forçam outras pessoas a seguirem o mesmo exemplo. Ao decepcionar alguém, ao ser egoísta com alguém, você está passando a mensagem de que para sobreviver ele deve ser assim, e isso cria um círculo vicioso. Em um mundo onde 'ninguém presta' isso é ouvido muitas vezes porque as pessoas criam com suas atitudes novas pessoas que não prestam.
Sim, somos responsáveis uns pelos outros. E eu sei o quanto isso parece estranho em um mundo tão egoísta quanto o mundo ocidental. Mas a própria natureza nos dá esse sinal. Pensamos que a natureza se baseia na "sobrevivência dos mais fortes", mas essa foi uma distorção criada por pessoas amarguradas para justificarem suas atitudes. A natureza é baseada em altruísmo, como forma de evolução. Sem o sacrifício de uma espécie por seus semelhantes, não há sobrevivência.
Haveria uma consumação desenfreada de recursos e o fim da espécie.
- Cães muitas vezes adotam filhotes de outras espécies, como gatos, porcos e até tigres.
- Golfinhos ajudam animais feridos de outras espécies, nadando sob eles por horas até levá-los para algum local seguro.
- Lobos e cães selvagens levam comida para membros do grupo que não saíram à caça.
- Babuínos se jogam em predadores para defenderem animais de outras espécies, como antílopes.
- Chipanzés compartilham comida com macacos de outras espécies e até com seres humanos sem ganharem nada em troca.
- Morcegos vampiros comumente vomitam sangue para dividirem com morcegos incapazes de encontrarem alimento.
- Guaxinins avisam animais de outras espécies, como ratos e gambás, onde existem lixeiras com comida. Essa atitude também já foi observada em corvos.
- Em várias espécies de Pássaros, um casal recebe ajuda de outras espécies não relacionadas, quando não encontram alimento. Alguns chegam ao ponto de darem a vida para protegerem filhotes que não são seus.
- Lobos e cães selvagens não atacam membros de outra matilha que sejam velhos, do sexo oposto ou que estejam em posição de rendição - Isso também ocorre com animais de outras espécies.
- Macacos Bugios avisam outros animais da presença de predadores, mesmo que ao fazer isso atraiam a atenção para si mesmos, aumentando a chance de serem atacados
- Baleias adotam filhotes que perderam os pais.
- Cupins podem explodir a si mesmos criando uma secreção que cria uma camada de resina e impede que formigas ataquem outros cupins.
- Miirkats, a espécie do Timão, é conhecida por alguns membros revezarem a posição de alerta; um deles pode ficar o dia inteiro sem comer, apenas vigiando enquanto outros se alimentam.
- Búfalos Africanos resgatam membros da manada que forem capturados por predadores, mesmo ao custo da própria vida.
São capazes de se privarem das coisas para alcançarem um objetivo, mas não se sentem bem ao se privarem de algo em favor de outra pessoa. Não cogitam que possa haver um retorno, ou que seja parte do processo pra se obter algo maior, que valha a pena; para eles abrir mão de seus desejos pessoais é como se render. Se renderem em uma competição que só existe em suas cabeças. Alimentada pela mídia consumista que precisa criar um 'status quo' para ter uma cota de clientes. Não se privam de se divertirem, porque não veem o outro senão como um meio para terem diversão; a partir do momento que ele se torna um centro de responsabilidade, não serve mais. Isso é tirar a dignidade do ser humano; se você o usa apenas como um meio para um fim, você não reconhece nele o mesmo valor que você tem para si. Você espera que ele aja como você, que não se importe com o que você sente, e que cuide da própria vida. Nesse pensamento, quando motivado pelo autointeresse outro lhe prejudica, aonde estará a moral para clamar por justiça, se você o ensinou tão bem a pensar em si mesmo? Se ele o faz te prejudicando, você prejudicou primeiro seu senso de caráter ao ensiná-lo que seria a única forma de sobreviver - Pensar em si mesmo sobre todas as coisas.
A busca pela 'felicidade' é tão ou mais motivada pelo egoísmo. Sim, temos o direito de sermos felizes mas se você é feliz enquanto outro sofre, que tipo de ser humano é você? Se você não tem nada a ver com isso, porque exige do universo justiça, que seja feliz, que tenha o que quer se você também não é da conta do universo, por consequência?
O termo sacríficio ganhou um cunho pejorativo pelo mesmo motivo: egoísmo. Seja você cristão ou não, com certeza sabe da história e vida de inúmeras pessoas que sacrificaram a vida pela maioria. Eu nunca conheci um cristão de verdade. Porque eu penso que seria apenas alguém que acredite em auto-sacrifício, já que ele diz seguir um ser que teria sacrificado a si mesmo por ele. Eu conheço sim, pessoas que lembram destes seres quando se trata de seu próprio benefício, mas que acham que não precisam seguir o exemplo. Seria muito 'radical'. Claro, mas quando os beneficiou foi um 'ato de amor'. Sacrifício significa privar-se de algo voluntariamente, para criar um estado de benfeitoria sobre outras pessoas, e ver essas pessoas bem te faz bem. Se você se importa com outros. Não precisa que outros se importem com você, é uma preocupação tola. Assim como seus atos egoístas criam pessoas egoístas, seus atos altruístas criarão altruístas. E mesmo que isso não ocorra, o benefício da realização de ser uma ferramenta indispensável a felicidade alheia te traz uma satisfação que não pode ser explicada, apenas sentida. Algo que nenhuma balada, nenhum carro, nenhum dinheiro vai lhe comprar ou trazer. O sentimento de que alguém além de você, é grato pela sua existência.
Eu não vejo muita esperança pra essa geração. Como um câncer, eles vêm tomando uns aos outros, em uma busca insensata pela 'felicidade' e banalizando as relações humanas; se alguém lhe causa algum incômodo, é mais fácil largar e trocar essa pessoa do que tentar compreendê-la. Ninguém quer gastar seu tempo compreendendo. Ou tentando ajudar aquela pessoa a se adaptar. Não, eles não tem tempo. Eles precisam pegar tudo para si antes que acabe.
A fome do desejo pessoal é muito diferente da fome física. Porque ela tende a aumentar, a refinar o paladar cada vez que é saciada. Chegará o momento em que sua realização será vazia. As únicas pessoas que irão lhe admirar, são aquelas que querem tomar tudo de você.
Pequenas células cancerosas que espalharão esse câncer para os filhos. Nenhum sistema sobrevive a isso. Ou os relacionamentos humanos entrarão em colapso, ou serão puramente de interesse. A felicidade nesse caso pode ser comparada a um orgasmo de segundos. Pode valer a pena na hora, mas é uma vitória vazia. A natureza não tem nenhum contrato social de que deve garantir suas vitórias, se você não tem um contrato social para com ela de garantir ser uma ferramenta para levar felicidade a outros.
Uma coisa que aprendi por experiência, é que só temos medo de que as pessoas façam conosco aquilo que somos propensos a fazer com elas. Então quando nos colocamos no lugar dos outros, não é para pensar o que nós faríamos no lugar dela, e sim avaliar pelo jeito dela, o que ela faria ou sentiria de acordo com nossas ações. Talvez se as pessoas se privarem da sede por prazer por um segundo e fizerem esse exercício, o corpo não precise ser amputado para se livrar do câncer.
A natureza é uma corrente.
E seres humanos não são ilhas.
Imagem do artigo: A Grande Prostituta do Apocalipse, símbolo da busca por prazeres e a própria felicidade egoísta, mais uma vez pintada pelo artista Howard D. Johnson.






